Após escândalo em formatura, empresa de Florianópolis deixa 170 funcionários sem salário

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Em uma denúncia feita ao ND+, funcionários da Brave Brazil, empresa de Florianópolis, afirmam que cerca de 170 funcionários foram demitidos e ficaram sem receber salário após o escândalo em uma formatura de medicina em Maringá, no Paraná.

Em entrevistas exclusivas ao portal ND+, ex-funcionários relataram que desde julho não eram pagos regularmente. Muitos dizem que apenas 50% do salário era recebido, outros estariam trabalhando de graça.

Após o escândalo em Maringá a situação teria agravado. Por e-mail, a empresa demitiu cerca de 170 funcionários alegando “bloqueio das contas e falta de dinheiro em caixa”. Além da perda do emprego, nenhum deles foi pago pelo trabalho.

“A empresa não estava em condições de manter eventos e ficou negligenciando tudo”, disse uma das entrevistadas que preferiu não se identificar.

Questionado, o advogado da empresa, Ricardo Araújo, disse que “devido aos bloqueios dos bens e das contas bancárias não é possível realizar pagamentos para qualquer prestador de serviço ou fornecedor”. E que “os prestadores de serviços são livres e podiam trabalhar ou não de acordo com a forma de pagamento determinada”.

Os funcionários entraram com ações coletivas contra a empresa, onde pedem o ressarcimento e o pagamento atrasado dos salários. Há ainda fornecedores que também pedem pelo ajuste das contas.

E-mail enviado aos funcionários.

Sala vazia

Ainda segundo os entrevistados, a sede da empresa, próxima ao estádio Orlando Scarpelli, no Estreito, em Florianópolis, foi flagrada vazia. Sem funcionários, o ambiente registra apenas restos do que um dia foi uma empresa de eventos.

Sobre a sede ser esvaziada, o advogado disse que isso seria uma inverdade.

“É uma inverdade que a empresa foi esvaziada, mas sim, tivemos que rescindir os contratos com nossos prestadores de serviços (alguns trabalhavam na sede da empresa) mantendo somente o trabalho remoto. Em razão da empresa ainda estar sem conseguir retornar 100% operacionalmente, devido aos bloqueios de bens e contas bancárias, e não há viabilidade econômica de manter um escritório daquele porte. A intenção é buscar uma sede menor, a fim de reduzir os custos mensais”, afirmou o advogado, Ricardo Araújo.

Carros de luxo

Segundo os funcionários, mesmo sem dinheiro em caixa, os donos da empresa teriam adquirido dois carros de luxo.

“Dentro da empresa eles falavam que a situação não poderia ser divulgada e que a empresa estava com problemas de inadimplência, o que é totalmente discordante porque entre outubro e novembro os proprietários adquiriram dois carros no valor de R$ 600 mil”, diz um dos entrevistados.

A defesa alega que a informação é falsa. “Os carros, apesar de serem de marca importada, são antigos e faziam parte de uma negociação que já fora distratada há algum tempo”.

Fornecedores

Conforme as entrevistas feitas pelo ND+, os fornecedores também alegam inadimplência.

“Vários fornecedores entre setembro, outubro e novembro receberam valores parciais em negociações, porém eles não cumpriram com nenhuma negociação”, declarou uma das pessoas entrevistadas.

Segundo ela, a empresa tinha cinco a seis formaturas no mês, eles pagavam a entrada do valor e não quitavam o restante dos eventos. Ao fim desse material, eles cortavam todo o relacionamento com os fornecedores dizendo que os alunos não teriam pago o total da formatura e que eles estavam “correndo atrás dos valores”.

A alegação da empresa para o não pagamento, continua sendo os bens bloqueados. Confira a conversa entre dois fornecedores:

Fornecedores conversam sobre a falta de pagamento da empresa – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDFornecedores conversam sobre a falta de pagamento da empresa – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Alimentos vencidos

Outra denúncia feita era de que, para economizar, a empresa, que prestava serviços para alunos de medicina, servia alimentos vencidos em suas formaturas, ou então, perto da data de vencimento.

A defesa da empresa diz que a informação não é verdadeira. Para eles, “Nunca tivemos em nenhum evento qualquer problema com intoxicação ou contaminação alimentar”.

“Outra questão era que eles faziam orçamentos para 50 pessoas, por exemplo, porém sabiam que teriam 80. Eles negligenciaram e jogaram na sorte. Por isso, perderam dois fornecedores de bufê que descobriram o esquema”, alega.

Foto mostra mesa de jantar da festa de formatura em Maringá – Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND

Bebidas “fajutas” vendidas como caras

“Eles prometiam para os alunos bebidas caríssimas, compravam umas 50 dessas e depois colocavam as bebidas que compravam em atacado. Os alunos achavam que estavam comprando isso”, declara um dos entrevistados.

O esquema funcionava, supostamente, mais ou menos assim: a empresa prometia uísque da marca Jack Daniel ‘s, mas quando acabava, completava com uísques de fabricação duvidosa, que custavam menos da metade do valor cobrado dos formandos.

Em reuniões os funcionários alegam ser comum ouvir: “vendemos um sonho, e entregamos o que for possível”.

Em resposta, a defesa da Brave Brazil diz que “a empresa sempre entregou o que foi contratado”.

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